terça-feira, 14 de agosto de 2012

Enrico Bianco, um pintor BRASILEIRO




Enrico Bianco, nasceu na Itália em 1918. Sempre teve uma ligação com nosso país, pois seu pai, Francesco Bianco era escritor e correspondente internacional do Jornal do Brasil. O jovem Enrico, aos 17 anos pintava embalado pelo piano tocado por sua mãe, Maria Bianco-Lanzi, uma mulher de cultura invulgar.
A  família sofreu um baque com a morte de sua mãe, e também pelo fato de Francesco ter sido um deputado pela democracia-cristã, e com isso caiu em desgraça pela ascensão do fascismo na Italia. O JB, vivendo a crise dos anos 30 demitiu-o da posição de correspondente na Itália.
Com isto a família emigrou para o Brasil, que Francesco já conhecera em 1920. E assim, em 1937, Enrico Bianco chegou ao Rio de Janeiro, acompanhado do pai e da irmã, estabelecendo-se para sempre no Brasil.
Algum tempo depois, teve um encontro que marcou-o para sempre. O pintor Paulo Rossi sugeriu que ele visitasse uma obra que Portinari estava fazendona sede do Ministério da Educação. Ele foi e lá só encontrou três ajudantes.
Estes ajudantes estavam enfrentando dificuldades para executarem a ampliação, em afresco, da mão de um garimpeiro, Enrico pediu licença e sozinho pintou aquele detalhe.
Logo chega Portinari, que percebendo a intromissão, perguntou: “Quem fez aquela mão ali?” Os ajudantes apontaram para Enrico, quieto a um canto. Portinari não deu importância ao jovem, que ficou constrangido.
Bianco arrependeu-se de ter ido lá e mais ainda de ter interferido na obra, mas ficou observando o desenrolar dos trabalhos. Ao chegar a hora do almoço, Bianco fez menção de retirar-se, despedindo-se de Portinari que lhe perguntou do mesmo jeito carrancudo: “Mas, aonde vai?” “Para casa”, respondeu Bianco.
`Portinari estendeu-lhe a mão com a mesma cara de zangado perguntou: “Mas amanhã você volta, não volta?”
Assim Enrico Bianco se integrou à equipe de Portinari, do qual foi um valioso colaborador e a influência do mestre é sentida em toda a sua obra.
Esta aproximação que tanto lhe beneficiou, também trouxe problemas, por razões políticas.
Em 1960 foi convidado para expor alguns trabalhos na 2ª Bienal do México. Como o Itamarati pagou as despesas de viagem aos pintores brasileiros, tomou-se ao direito de rever a lista dos artistas expositores, e assim cortou Bianco , sob a alegação de que ele era italiano e não representava a arte brasileira. Sua temática era toda ela voltada  para a nossa terra, nossa gente, nossos costumes. Rubem Braga saiu em sua defesa em crônica publicada pela revista Manchete.
Não resolveu. Quando o Estado interfere na arte, a arte sempre leva a pior, e o artista também.
Enrico nasceu em Roma, em 1918, no dia 18 de julho. Veio muito jovem para o Brasil e aqui desenvolveu-se, conviveu com grandes mestres da pintura, como Portinari, teve Burle Marx entre seus amigos e recebeu muitos elogios de especialistas em arte, como Antonio Bento e Pietro Maria Bardi.
Podemos, sem medo de errar, dizer que Enrico Bianco é o mais brasileiro dos pintores italianos, e por isso pode ser incluído no rol dos PINTORES BRASILEIROS.

Algumas obras deste artista:








segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Grandes craques bajeenses IV - Luis Fernando

Um caso de precocidade e talento
O que dizer de um jovem que, com 15 anos de idade, saiu do futebol amador para os profissionais do Guarany?
 







































Pois Luís Fernando Rosa Flores, nascido em Bagé, no dia 22 de fevereiro de 1964, destacou-se no Kennedy e foi convidado a jogar pelo Guarany, tornando-se titular em 1980, ficando no clube até 82 e tendo como treinadores Ivan Ravaza e Serafim Krob.
Meia-atacante de grande habilidade, transferiu-se depois para o Atlético de Carazinho e, no futebol gaúcho, atuou também pelo Atlético de Carazinho, Internacional de Santa Maria, Pelotas, SER Caxias e Internacional de Porto Alegre.
Luís Fernando jogou também na Paraíba (Botafogo), Bahia (Esporte Clube Bahia), Rio Grande do Norte (ABC de Natal) e Minas Gerais (Cruzeiro e Villa Nova) e teve experiência internacional em Portugal, na Ilha da Madeira.
Já no final da carreira, jogu quatro partidas pelo Esporte Clube Rio Grande.
Abandonado o futebol, continuou residindo em Belo Horizonte, atualmente atua como auxiliar técnico no Goiás.

sábado, 11 de agosto de 2012

Stephen Wiltshire, artista londrino

Stephen desenhando Toquio
Desenhando Nova Iorque


Stephen Wiltshire é um artista que desenha e pinta paisagens detalhadas, prefere as cenas urbanas. Ele tem um grande talento para desenhos realistas, representações precisas de cidades, mesmo que às vezes as observe por pouco tempo.


Ele foi premiado com um MBE, por serviços prestados ao mundo da arte em 2006. Estudou Belas Artes no City & Guide Art College. Seu trabalho é muito conhecido em todo o mundo.



Aos três anos ele foi diagnosticado como autista. não se comunicava com ninguém e viva no seu  mundinho próprio

Aos cinco anos foi enviado à Escola Queensmill, em Londres, onde observou-se que o seu passatempo era desenhar, coisa que fazia por horas a fio. Era só o que ele gostava de fazer. Logo se tornou evidente que esta era a sua maneira de se comunicar com o mundo. Ele começou desenhando animais, depois os famosos ônibus de Londres e por fim edifícios. 










Os desenhos de Stephen mostram uma perspectiva magistral, um talento natural e inato.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A arte de Natalia Goncharova

Natália Sergeevna Goncharova (1881-1962), viveu durante a pré-revolução russa e foi nesta realidade sócio-cultural que se desenvolveu. De tendência cubo-futurista – escola russa, que combinava o cubismo francês e o futurismo italiano –, Goncharova foi também profundamente influenciada pelos aspectos primitivos da arte popular de seu país.

No princípio de sua carreira, a artista estava mais preocupada com a pintura dos ícones e primitivismos de seu povo. Mas o que a tornou famosa foi sua obra futurista, como o Ciclista, e suas posteriores obras raionistas.

Autorretrato
Colheita de maçãs (1909)
Lavadeiras (1911)
Colheita de vinho (1911)

No princípio de sua carreira, a artista estava mais preocupada com a pintura dos ícones e primitivismos de seu povo. Mas o que a tornou famosa foi sua obra futurista, como o Ciclista, e suas posteriores obras raionistas.
Ciclista (1911)
O raionismo foi um tipo de arte abstrata, desenvolvida por Gonchorova e Mikhail Larionov (seu marido), que pretendia avançar nas formas espaciais, a partir da interseção de raios refletidos de múltiplos objetos e formas. Os artistas buscavam a essência da pintura, através da combinação de cores, saturação, relação das massas de cor, profundidade e textura.



Na ordem em que aparecem acima: Espanhola (1918); Mantilha espanhola (1920); Flores (1911); Paisagem (1915/16) e O Mercador de laranjas (1915/16)


No raionismo da arte de Gonchorova, um raio é representado provisoriamente na superfície por uma linha colorida.

Agora, se nós não nos preocuparmos com os objetos em si, mas com as somas dos raios a partir deles, podemos construir uma imagem da seguinte forma: a soma dos raios de um objeto cruza a soma dos raios do objeto B, no espaço entre eles certa forma aparece, e esta é isolada pela vontade do artista.
Percepção, não do objeto em si, mas da soma de seus raios, está, por natureza, muito mais perto da superfície simbólica da imagem do que é o próprio objeto. Isso é quase o mesmo que a miragem que aparece no ar ardente do deserto e representa cidades distantes, lagos e oásis no céu (em casos concretos). Raionismo apaga as barreiras que existem entre a superfície da imagem e da natureza.


Espanhola (1918)
Banhistas (1916/18)

Além de pintora, Gonchorova foi figurinista, escritora, ilustradora e cenógrafa. Trabalhou desde a pintura a óleo ao design têxtil. A partir da adolescência, alguns de seus principais trabalhos foram feitos para o teatro, projetando cenários e figurinos para o Ballet Russo de Diaghilev.

Goncharova era uma radical, tanto na arte quanto na vida:

  • viveu com Mikhail Larionov durante décadas, casando-se somente em 1955. Ainda assim devido à questões de herança;
  • Larionov, interessando em tatuagens, pintava seus corpos e de amigos, com imagens, palavras ou frases ofensivas, e saiam desfilando pelas partes ricas da cidade, sentavam-se em cafés;
  • apesar da grande reputação como artista, teve vários problemas com a lei, tendo sido julgada por pornografia depois de uma mostra de suas pinturas em que abordava a nudez, isso em 1910;
  • algumas de suas pinturas religiosas foram removidos à força de várias exposições e proibidas durante bom tempo pelo “Santo Sínodo”.

Natália Goncharova e amigos. Da esq. para a direita: Natalia Goncharova, Igor Stravinsky (compositor russo - 1882-1971), Léon Bakst (figurinista russo/1866-1924), Mikhail Larionov (em pé, pintor russo/1881-1964), Leonid Massine (coreógrafo russo/ 1896-1979) – Lausanne, Suíça, 1915







quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Informação X Conhecimento





Será que a quantidade de informação a nossa disposição na internet gera conhecimento?

Coloquei no Google a palavra FÍSICA e gerou em apenas 0,29 segundos, 183.000.000 (cento e oitenta e três milhões) de referências. Ora, se gastarmos apenas 3 segundos para abrir e ler cada uma delas, teríamos o exagero de 549.000.000 de segundos, que resultariam em 9.150.000 minutos, seriam  152.500 horas ou 6.354 dias, então para isso precisaríamos reservar 17 anos da nossa vida, isso sem dormir nem parar para nada. Como temos que parar para dormir, comer e fazer a higiene diária, dobraria o tempo para 34 anos para abrir e passar os olhos nestes arquivos.

A internet é uma poderosíssima arma, mas é necessário que se tenha cuidados especiais para utilizá-la.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

As Redes Sociais (Pedro Araujo)

O social está assumindo um papel cada vez mais importante no mundo da Internet. Os chamados "softwares sociais" estão cada vez mais sendo usados e têm contribuido para a aproximação das pessoas e a criação de comunidades virtuais.

Por Pedro Araújo

Uma comunidade pode agregar pessoas ou valores na medida que desenvolve o capital social envolvido no seu ambiente. Uma comunidade com um maior capital social tem um maior compartilhamento de conhecimento, o que faz com que as chances de mudanças comportamentais significativas sejam maiores do que em comunidades com menor capital social. As comunidades com maior capital social certamente dispõem de muitos participantes com elevado capital social individual. Mas, afinal, o que é capital social? Podemos definir capital social como sendo a soma dos potenciais disponíveis em uma rede de relacionamentos.

O capital social pode ser caracterizado através de três dimensões básicas:

Estrutural (em rede): habilidade que as pessoas têm para fazer contato com outras pessoas. Reduz a quantidade de tempo e o investimento necessário para se obter informações, localizar especialistas, resolver problemas.

Relacional (compromissos): o senso de comprometimento desenvolvido ou que se desenvolve através de obrigações, normas, confiança e identificação.

Cognitivo (aprendizado): o interesse ou o entendimento comum; o desenvolvimento de um contexto compartilhado entre ambas as partes.

Assim, as comunidades virtuais podem ser um elemento significativo para a ampliação do capital social de pessoas ou organizações. Esses ambientes dão oportunidades para que os indivíduos façam novos contatos, abrindo espaço e tempo para seus relacionamentos, achando meios para o compartilhamento de culturas e experiências e, com isso, aprimorando de forma consciente, ou não, as suas vidas.
Nas comunidades virtuais, vemos pessoas colocando suas postagens em resposta às colocações já realizadas, estabelecendo vínculos diretos: as chamadas “ligações fortes”.
Por outro lado, a maioria dos participantes somente olha – e rapidamente – as colocações feitas, estabelecendo, assim, vínculos distantes: as “ligações fracas”. Nessa área, se explora o conceito de “individualismo em rede”, como uma extensão da tendência ao individualismo já existente na nossa sociedade atual.
Vivemos uma grande contradição. Estamos presenciando na nossa sociedade uma individualização intensa, enquanto que, simultaneamente, estamos dependentes do relacionamento com os outros. O sociólogo Manuel Castells diz que o grande papel da Internet na estruturação das relações sociais é a sua contribuição para esse novo tipo de sociabilização, baseada no individualismo. Para ele, a web é o suporte apropriado para a difusão do individualismo, onde as pessoas habitam as comunidades virtuais com ligações fracas.
Embora o surgimento das redes de relacionamento tenha provocado em algumas pessoas o efeito contrário do que o esperado, a psicanalista Anna Verônica Mautner acredita que esse individualismo está aos poucos se rompendo, mas, ao mesmo tempo, estamos fazendo uma comunicação surda. “Facebook, orkut são exemplos de comunicação surda. As pessoas escrevem coisas como ‘Agora eu vou tomar banho’”. Para Anna Verônica, as pessoas se abrem, desabafam, mas não interagem; por isso, a psicanalista chama de “surda” essa forma de comunicação.
Há a visão de que o real e o virtual são dois mundos distintos. Algumas pessoas veem as comunidades virtuais como ilhas exóticas, com espaços sociais delimitados, independentes do tempo, do espaço e do local. O fotógrafo Lucas Martins defende a mudança do conceito da Internet para “artefato cultural”. O que ele chama de “mudança de foco” é as pessoas deixarem de “ver a atividade online como um desligamento das atividades da vida real”.
As facilidades do mundo virtual são muito bem-vindas ao nosso dia-a-dia. Para Lucas, “se podemos evitar as enormes filas dos bancos pagando nossas contas em casa, pela Internet, por que não usarmos a tecnologia a nosso favor, economizando tempo e estando livre de assaltos?”. Já para Anna Verônica, o problema surge quando tudo parece poder ser resolvido com o simples apertar de um botão. Durante a entrevista, a psicanalista pega um pedaço de papel e faz um barquinho. “Eu fiz uma coisa. Quando eu escrevo ‘barquinho’ no computador, eu não fiz nada. Temos que ensinar o homem a voltar a fazer”, conclui Anna Verônica.

sábado, 16 de junho de 2012

Alex Flemming por Angélica de Moraes



Angélica de Moraes, crítica de arte, curadora e jornalista cultural, bajeense radicada em São Paulo é a autora desta obra sobre Alex Flemming



ALEX FLEMMING

Alex Flemming (São Paulo SP 1954). Pintor, escultor e gravador. Freqüenta o curso livre de cinema na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo, entre 1972 e 1974. Cursa serigrafia com Regina Silveira (1939) e Julio Plaza (1938-2003), e gravura em metal com Romildo Paiva (1938), em 1979 e 1980. Na década de 1970, realiza filmes de curtas-metragens e participa de festivais. Em 1981, viaja para Nova York, onde permanece por dois anos e desenvolve projeto no Pratt Institute, com bolsa de estudos da Fulbright Foundation. A partir dos anos 1990, realiza intervenções em espaços expositivos e pinturas de caráter autobiográfico. Passa também a recolher móveis como cadeiras e poltronas, para utilizar em seus trabalhos, aplicando sobre eles tintas e letras ou textos. É professor da Kunstakademie de Oslo, na Noruega, entre 1993 e 1994. Reside na Alemanha a partir de 1995, e continua expondo freqüentemente no Brasil. Em 1998, realiza painéis em vidro para a Estação Sumaré do Metrô de São Paulo, com fotos de pessoas comuns, às quais sobrepõe com letras coloridas trechos de poemas de autores brasileiros. A representação do corpo humano e os mapas de regiões em conflito estão na série Body Builders (2001-2002). Em 2002, são publicados os livros Alex Flemming, pela Edusp, organizado por Ana Mae Barbosa, com textos de diversos especialistas em artes visuais, e Alex Flemming, uma Poética..., de Katia Canton, pela editora Metalivros, e, em 2005, o livro Alex Flemming - Arte e História, de Roseli Ventrella e Valéria de Souza, pela Editora Moderna.

Alex Flemming explora diversas técnicas em sua obra, como fotografia, pintura, serigrafia e gravura, criando imagens impactantes, como os trabalhos expostos na estação Sumaré do metrô de São Paulo.
O livro apresenta um ensaio da crítica de arte Angélica de Moraes sobre a importância da técnica fotográfica na trajetória do artista brasileiro. O texto destaca algumas influências na formação de Flemming: a experiência com o grafite, o aprendizado com a artista Regina Silveira e o fotógrafo Cristiano Mascaro.
A monografia traz também uma entrevista exclusiva do artista à autora, uma cronologia e reproduções de dezenas de obras, documentando diferentes séries e períodos de sua carreira. A edição é complementada com fac-símiles de páginas das agendas de Flemming, nas quais ele registra eventos cotidianos, idéias e referências utilizadas em seu processo criativo.

Brochura com sobrecapa plástica
208 páginas; 
160 x 220 mm
0,5800 kg
ISBN 978-85-405-0184-3